
{"id":303,"date":"2014-08-07T14:15:04","date_gmt":"2014-08-07T14:15:04","guid":{"rendered":"http:\/\/www.edufma.ufma.br\/?p=303"},"modified":"2016-05-22T11:46:19","modified_gmt":"2016-05-22T14:46:19","slug":"resenha-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.edufma.ufma.br\/index.php\/2014\/08\/resenha-2\/","title":{"rendered":"Resenha"},"content":{"rendered":"<p>CONVIV\u00caNCIA CR\u00cdTICA: NAURO MACHADO, POETA DE SEMPRE!<\/p>\n<p><em>Hildeberto Barbosa Filho<\/em>\u00a0[1]<\/p>\n<p>Os anos 50 e 60 do s\u00e9culo passado foram marcados pelas experi\u00eancias de vanguarda em torno das quest\u00f5es po\u00e9ticas. A onda experimentalista em face dos artefatos da linguagem deflagrou, em certo sentido, aquilo que os corifeus da poesia concreta denominaram de \u201ca crise do verso\u201d. N\u00e3o foram poucos os poetas que embarcaram nessa viagem de pesquisas t\u00e9cnicas, formais, estil\u00edsticas em busca de novos caminhos para a consecu\u00e7\u00e3o do discurso po\u00e9tico. \u00c9 claro que a poesia brasileira acenou, em certos aspectos, para estrat\u00e9gias de composi\u00e7\u00e3o al\u00e9m das camadas verbais, apreendendo \u2013 n\u00e3o se pode negar \u2013 li\u00e7\u00f5es de economia expressiva e de di\u00e1logo com outras linguagens que fertilizaram, em muito, o terreno da produ\u00e7\u00e3o liter\u00e1ria e est\u00e9tica.<\/p>\n<p>N\u00e3o obstante, cabe lembrar, aqui, que alguns poetas (e tamb\u00e9m n\u00e3o foram poucos) mantiveram-se fi\u00e9is \u00e0s exig\u00eancias tradicionais do verso e da imagem, explorando silenciosamente os seus limites, suas possibilidades, seus espa\u00e7os de perman\u00eancia e renova\u00e7\u00e3o, sobretudo compactuando com os paradigmas das altas vozes da l\u00edrica ocidental.<\/p>\n<p>Nauro Machado, maranhense de S\u00e3o Lu\u00eds, \u00e9 um desses poetas. Estreando em 1958, com <em>Campo sem base<\/em>, tem demonstrado, ao longo do tempo, uma verve vertiginosa em termos de produ\u00e7\u00e3o, haja vista o enorme n\u00famero de t\u00edtulos publicados, e uma dedica\u00e7\u00e3o incompar\u00e1vel aos sortil\u00e9gios da poesia enquanto epicentro existencial de sua trajet\u00f3ria biogr\u00e1fica e art\u00edstica.<\/p>\n<p>Se formalmente sua dic\u00e7\u00e3o po\u00e9tica trilha tr\u00eas modelos est\u00e9ticos \u2013 o poema de versos longos, a pr\u00e1tica do soneto, em ampla e vasta varia\u00e7\u00e3o, e o poema de versos curtos, ou seja, sua experi\u00eancia minimalista -, tematicamente Nauro \u00e9 um poeta s\u00f3, de uma s\u00f3 matriz, de uma s\u00f3 perplexidade, calcada, a seu turno, numa veemente, continua e obsessiva indaga\u00e7\u00e3o sobre a natureza do ser, do ser e seus derivados. A ele e \u00e0 sua obra po\u00e9tica caberia bem, como ep\u00edgrafe, os versos de Drummond: \u201cComo ficou chato ser moderno \/ agora eu quero ser eterno\u201d.<\/p>\n<p>Pois bem, \u00e9 esse sentido de eternidade que envolve as indaga\u00e7\u00f5es existenciais permanentes, \u00e0 semelhan\u00e7a dos metaf\u00edsicos ingleses, e uma pauta discursiva de genu\u00edna identidade estil\u00edstica que fazem de Nauro um poeta \u00fanico, original, inimit\u00e1vel, autor de um longo e torturado poema, ou melhor, de um arquipoema que se desdobra em inst\u00e2ncias antag\u00f4nicas e complementares por onde transitam personagens e motivos, situa\u00e7\u00f5es e conflitos, desejos e afetos que nos revelam a ambival\u00eancia humana: o animal que somos e nossa \u00e2nsia de transcend\u00eancia.<\/p>\n<p>Como um Baudelaire, como um Augusto dos Anjos, como um Jo\u00e3o Cabral de Melo Neto, Nauro Machado se reconhece, no plano do vocabul\u00e1rio escolhido e da sintaxe versificat\u00f3ria, \u00e0 leitura de qualquer poema. \u00c0 semelhan\u00e7a de certos pintores, que n\u00e3o careceriam de assinar seus quadros para podermos identific\u00e1-los (um Goya, um Van Gogh, por exemplo), Nauro tamb\u00e9m n\u00e3o precisa assinar seus poemas para ser reconhecido. Seu estilo \u00e9 t\u00e3o pr\u00f3prio, t\u00e3o singular, t\u00e3o caracter\u00edstico e t\u00e3o coerente com os assuntos, temas e motiva\u00e7\u00f5es que aborda em seus poemas, que o que lemos nele s\u00f3 podemos ler nele, como se fora uma marca e um selo irrepet\u00edveis, uma esp\u00e9cie de idiossincrasia surpreendente, ou, como diria Ezra Pound, uma novidade que permanece sempre novidade.<\/p>\n<p><em>Funil do ser (can\u00e7\u00f5es m\u00ednimas)<\/em>, publicado em 1995 pela Editora da Universidade Federal do Maranh\u00e3o, como qualquer outra obra do autor, evidencia bem o sentido de minhas palavras.<\/p>\n<p>Se a vertente t\u00e9cnico-liter\u00e1ria privilegiada \u00e9 a do verso curto, substantivo, estreito e, de certo modo, de dura\u00e7\u00e3o m\u00ednima, numa alus\u00e3o \u00e0 finitude temporal do poeta enquanto ser, e eu diria, com Heidegger, \u201cum ser para a morte\u201d, a met\u00e1fora-s\u00edntese \u00e9 a do t\u00edtulo, \u201cfunil do ser\u201d, remetendo para a ideia do estreitamente da exist\u00eancia, da vida que vai se tornando menos no pouco tempo que lhe resta, afunilando, assim, suas naturais possibilidades.<\/p>\n<p>Deste eixo nuclear se irradiam as t\u00f3picas com as quais o eu l\u00edrico, j\u00e1 transfundido pela cenografia da linguagem, vai dialogar, sempre envolto num clima de tens\u00e3o reflexiva, com as inquieta\u00e7\u00f5es que mobilizam seu ser e estar no mundo. Deus, a morte, a condi\u00e7\u00e3o biol\u00f3gica, a condi\u00e7\u00e3o metaf\u00edsica, o sexo, a doen\u00e7a, a velhice, a palavra, a poesia, entre tantas categorias do bicho humano, aparecem em sua essencialidade, como habitantes desse \u201cfunil\u201d que cada vez mais se estreita (e se estreita mesmo na linguagem) como uma r\u00e9plica do inferno dantesco, em sua tr\u00e1gica escalada descendente.<\/p>\n<p>Em cada poema do livro \u00e9 poss\u00edvel verificar a circula\u00e7\u00e3o de tais ideias, de tais sentimentos e emo\u00e7\u00f5es, \u00e0 parte a diversidade de escolha tem\u00e1tica. Em \u201cViagem\u201d (p. 25), por exemplo, observem-se as correla\u00e7\u00f5es sem\u00e2nticas e metaf\u00f3ricas entre \u201cnavio\u201d e \u201cvida\u201d: \u201cNenhum navio \/ (no oceano embora) \/ atinge o ch\u00e3o \/ da imensidade: \/\/ assim a vida \/ que se imagina. \/ (Ela \u00e9 mais funda \/ do que supomos)\u201d. Em \u201cCaranguejeira\u201d (p. 33), o eu l\u00edrico ainda \u00e9 mais expl\u00edcito, sobretudo nas duas \u00faltimas estrofes. Vejamos: \u201cTodo dia me acordo \/ cada vez mais cad\u00e1ver \/ para dentro no escuro. \/\/ Ser Deus na eternidade \/ ou quando o gozo geme \/ ainda antes de tremer \/ como dentro de um t\u00famulo\u201d.<\/p>\n<p>A prop\u00f3sito, esse sentir e olhar as coisas por dentro, esse percurso pelo interior do corpo e da alma, esse estranho metabolismo do estreitamento e do afunilamento do ser, ou, em outra clave, talvez mais pertinente e mais aguda, a asfixia dos elementos vitais, como que balizam a cad\u00eancia e a imag\u00e9tica de cada poema, sobretudo se pensarmos em voc\u00e1bulos, como pedra, t\u00famulo, cova, sombra, noite, trevas, morte, e, num registro mais biol\u00f3gico, t\u00e3o t\u00edpico da voz naurina, garganta, boca, \u00fatero, entranhas, vagina, ossos, h\u00edmen, ventre, entre tantos outros.<\/p>\n<p>Chamo a aten\u00e7\u00e3o ainda para o car\u00e1ter funcional dos t\u00edtulos dos poemas que, em sua for\u00e7a cataf\u00f3rica e indicativa, sinalizam diretamente para a ideia central, imprimindo-lhes unidade de concep\u00e7\u00e3o, e para a dial\u00e9tica, sempre recorrente na poesia do autor de <em>Zoologia da alma<\/em>, entre o material e o espiritual, entre o f\u00edsico e o metaf\u00edsico, o corp\u00f3reo e o an\u00edmico, enfim, entre o biol\u00f3gico e o mental. Estes elementos, e outras nuances n\u00e3o ventiladas aqui, me d\u00e3o a convic\u00e7\u00e3o de que Nauro Machado \u00e9 um poeta de sempre.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>[1] &#8211; Hildeberto Barbosa \u00a0Filho \u00e9 Mestre em Literatura Brasileira, Bacharel em Ci\u00eancias Jur\u00eddicas e Sociais e Licenciado em Letras Cl\u00e1ssicas e Vern\u00e1culas pela (UFPB); Al\u00e9m de professor da Universidade Federal da Para\u00edba \u00e9 cr\u00edtico liter\u00e1rio, escritor, poeta e jornalista.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"color: #555555;\"><em>_______________<\/em><\/p>\n<p style=\"color: #555555;\"><em>Resenha publicada em 06\u00a0de outubro\u00a0de 2013 no caderno Alternativo do jornal\u00a0<a style=\"color: #951010;\" href=\"http:\/\/imirante.globo.com\/oestadoma\/\" target=\"_blank\">O Estado do Maranh\u00e3o<\/a>.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>CONVIV\u00caNCIA CR\u00cdTICA: NAURO MACHADO, POETA DE SEMPRE! Hildeberto Barbosa Filho\u00a0[1] Os anos 50 e 60 do s\u00e9culo passado foram marcados pelas experi\u00eancias de vanguarda em torno das quest\u00f5es po\u00e9ticas. A onda experimentalista em face dos artefatos da linguagem deflagrou, em certo sentido, aquilo que os corifeus da poesia concreta denominaram de \u201ca crise do verso\u201d. N\u00e3o foram poucos os poetas que embarcaram nessa viagem de pesquisas t\u00e9cnicas, formais, estil\u00edsticas em busca de novos caminhos para a consecu\u00e7\u00e3o do discurso po\u00e9tico. \u00c9 claro que a poesia brasileira acenou, em certos aspectos, para estrat\u00e9gias de composi\u00e7\u00e3o al\u00e9m das camadas verbais, apreendendo \u2013 n\u00e3o se pode negar \u2013 li\u00e7\u00f5es de economia expressiva e de di\u00e1logo com outras linguagens que fertilizaram, em muito, o terreno da produ\u00e7\u00e3o liter\u00e1ria e est\u00e9tica. N\u00e3o obstante, cabe lembrar, aqui, que alguns poetas (e tamb\u00e9m n\u00e3o foram poucos) mantiveram-se fi\u00e9is \u00e0s exig\u00eancias tradicionais do verso e da imagem, explorando silenciosamente os seus limites, suas possibilidades, seus espa\u00e7os de perman\u00eancia e renova\u00e7\u00e3o, sobretudo compactuando com os paradigmas das altas vozes da l\u00edrica ocidental. Nauro Machado, maranhense de S\u00e3o Lu\u00eds, \u00e9 um desses poetas. Estreando em 1958, com Campo sem base, tem demonstrado, ao longo do tempo, uma verve vertiginosa em termos de produ\u00e7\u00e3o, haja vista o enorme n\u00famero de t\u00edtulos publicados, e uma dedica\u00e7\u00e3o incompar\u00e1vel aos sortil\u00e9gios da poesia enquanto epicentro existencial de sua trajet\u00f3ria biogr\u00e1fica e art\u00edstica. Se formalmente sua dic\u00e7\u00e3o po\u00e9tica trilha tr\u00eas modelos est\u00e9ticos \u2013 o poema de versos longos, a pr\u00e1tica do soneto, em ampla e vasta varia\u00e7\u00e3o, e o poema de versos curtos, ou seja, sua experi\u00eancia minimalista -, tematicamente Nauro \u00e9 um poeta s\u00f3, de uma s\u00f3 matriz, de uma s\u00f3 perplexidade, calcada, a seu turno, numa veemente, continua e obsessiva indaga\u00e7\u00e3o sobre a natureza do ser, do ser e seus derivados. A ele e \u00e0 sua obra po\u00e9tica caberia bem, como ep\u00edgrafe, os versos de Drummond: \u201cComo ficou chato ser moderno \/ agora eu quero ser eterno\u201d. Pois bem, \u00e9 esse sentido de eternidade que envolve as indaga\u00e7\u00f5es existenciais permanentes, \u00e0 semelhan\u00e7a dos metaf\u00edsicos ingleses, e uma pauta discursiva de genu\u00edna identidade estil\u00edstica que fazem de Nauro um poeta \u00fanico, original, inimit\u00e1vel, autor de um longo e torturado poema, ou melhor, de um arquipoema que se desdobra em inst\u00e2ncias antag\u00f4nicas e complementares por onde transitam personagens e motivos, situa\u00e7\u00f5es e conflitos, desejos e afetos que nos revelam a ambival\u00eancia humana: o animal que somos e nossa \u00e2nsia de transcend\u00eancia. Como um Baudelaire, como um Augusto dos Anjos, como um Jo\u00e3o Cabral de Melo Neto, Nauro Machado se reconhece, no plano do vocabul\u00e1rio escolhido e da sintaxe versificat\u00f3ria, \u00e0 leitura de qualquer poema. \u00c0 semelhan\u00e7a de certos pintores, que n\u00e3o careceriam de assinar seus quadros para podermos identific\u00e1-los (um Goya, um Van Gogh, por exemplo), Nauro tamb\u00e9m n\u00e3o precisa assinar seus poemas para ser reconhecido. Seu estilo \u00e9 t\u00e3o pr\u00f3prio, t\u00e3o singular, t\u00e3o caracter\u00edstico e t\u00e3o coerente com os assuntos, temas e motiva\u00e7\u00f5es que aborda em seus poemas, que o que lemos nele s\u00f3 podemos ler nele, como se fora uma marca e um selo irrepet\u00edveis, uma esp\u00e9cie de idiossincrasia surpreendente, ou, como diria Ezra Pound, uma novidade que permanece sempre novidade. Funil do ser (can\u00e7\u00f5es m\u00ednimas), publicado em 1995 pela Editora da Universidade Federal do Maranh\u00e3o, como qualquer outra obra do autor, evidencia bem o sentido de minhas palavras. Se a vertente t\u00e9cnico-liter\u00e1ria privilegiada \u00e9 a do verso curto, substantivo, estreito e, de certo modo, de dura\u00e7\u00e3o m\u00ednima, numa alus\u00e3o \u00e0 finitude temporal do poeta enquanto ser, e eu diria, com Heidegger, \u201cum ser para a morte\u201d, a met\u00e1fora-s\u00edntese \u00e9 a do t\u00edtulo, \u201cfunil do ser\u201d, remetendo para a ideia do estreitamente da exist\u00eancia, da vida que vai se tornando menos no pouco tempo que lhe resta, afunilando, assim, suas naturais possibilidades. Deste eixo nuclear se irradiam as t\u00f3picas com as quais o eu l\u00edrico, j\u00e1 transfundido pela cenografia da linguagem, vai dialogar, sempre envolto num clima de tens\u00e3o reflexiva, com as inquieta\u00e7\u00f5es que mobilizam seu ser e estar no mundo. Deus, a morte, a condi\u00e7\u00e3o biol\u00f3gica, a condi\u00e7\u00e3o metaf\u00edsica, o sexo, a doen\u00e7a, a velhice, a palavra, a poesia, entre tantas categorias do bicho humano, aparecem em sua essencialidade, como habitantes desse \u201cfunil\u201d que cada vez mais se estreita (e se estreita mesmo na linguagem) como uma r\u00e9plica do inferno dantesco, em sua tr\u00e1gica escalada descendente. Em cada poema do livro \u00e9 poss\u00edvel verificar a circula\u00e7\u00e3o de tais ideias, de tais sentimentos e emo\u00e7\u00f5es, \u00e0 parte a diversidade de escolha tem\u00e1tica. Em \u201cViagem\u201d (p. 25), por exemplo, observem-se as correla\u00e7\u00f5es sem\u00e2nticas e metaf\u00f3ricas entre \u201cnavio\u201d e \u201cvida\u201d: \u201cNenhum navio \/ (no oceano embora) \/ atinge o ch\u00e3o \/ da imensidade: \/\/ assim a vida \/ que se imagina. \/ (Ela \u00e9 mais funda \/ do que supomos)\u201d. Em \u201cCaranguejeira\u201d (p. 33), o eu l\u00edrico ainda \u00e9 mais expl\u00edcito, sobretudo nas duas \u00faltimas estrofes. Vejamos: \u201cTodo dia me acordo \/ cada vez mais cad\u00e1ver \/ para dentro no escuro. \/\/ Ser Deus na eternidade \/ ou quando o gozo geme \/ ainda antes de tremer \/ como dentro de um t\u00famulo\u201d. A prop\u00f3sito, esse sentir e olhar as coisas por dentro, esse percurso pelo interior do corpo e da alma, esse estranho metabolismo do estreitamento e do afunilamento do ser, ou, em outra clave, talvez mais pertinente e mais aguda, a asfixia dos elementos vitais, como que balizam a cad\u00eancia e a imag\u00e9tica de cada poema, sobretudo se pensarmos em voc\u00e1bulos, como pedra, t\u00famulo, cova, sombra, noite, trevas, morte, e, num registro mais biol\u00f3gico, t\u00e3o t\u00edpico da voz naurina, garganta, boca, \u00fatero, entranhas, vagina, ossos, h\u00edmen, ventre, entre tantos outros. Chamo a aten\u00e7\u00e3o ainda para o car\u00e1ter funcional dos t\u00edtulos dos poemas que, em sua for\u00e7a cataf\u00f3rica e indicativa, sinalizam diretamente para a ideia central, imprimindo-lhes unidade de concep\u00e7\u00e3o, e para a dial\u00e9tica, sempre recorrente na poesia do autor de Zoologia da alma, entre o material e o espiritual, entre o f\u00edsico e o metaf\u00edsico, o corp\u00f3reo e o an\u00edmico, enfim, entre o [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":304,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[33],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.edufma.ufma.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/303"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.edufma.ufma.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.edufma.ufma.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.edufma.ufma.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.edufma.ufma.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=303"}],"version-history":[{"count":4,"href":"https:\/\/www.edufma.ufma.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/303\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":308,"href":"https:\/\/www.edufma.ufma.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/303\/revisions\/308"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.edufma.ufma.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/304"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.edufma.ufma.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=303"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.edufma.ufma.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=303"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.edufma.ufma.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=303"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}