
{"id":219,"date":"2014-07-01T14:36:46","date_gmt":"2014-07-01T17:36:46","guid":{"rendered":"http:\/\/www.edufma.ufma.br\/?p=219"},"modified":"2020-11-11T18:52:43","modified_gmt":"2020-11-11T21:52:43","slug":"resenha","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.edufma.ufma.br\/index.php\/2014\/07\/resenha\/","title":{"rendered":"Resenha"},"content":{"rendered":"<p>AS FACES ESPECULARES DO PASSADO \u2013 ANTIGUIDADE E IDADE M\u00c9DIA: UMA VIS\u00c3O MARANHENSE<\/p>\n<p><em>\u00c1lvaro Alfredo Bragan\u00e7a J\u00fanior[1]<\/em><\/p>\n<p>O livro <em>Literatura e Hist\u00f3ria Antiga e Medieval &#8211; Di\u00e1logos Interdisciplinares<\/em> veio \u00e0 luz, vinculada ao N\u00facleo de Humanidades (cole\u00e7\u00e3o Humanidades), pelo selo da EDUFMA, Editora da Universidade Federal do Maranh\u00e3o. A organiza\u00e7\u00e3o desta obra lan\u00e7ada mais precisamente na cidade de S\u00e3o Lu\u00eds, estado do Maranh\u00e3o, ficou a cabo de duas das mais destacadas maranhenses da \u00e1rea de Hist\u00f3ria e Literatura, a saber, respectivamente, as professoras Adriana Zierer, da UEMA, e M\u00e1rcia Manir Miguel Feitosa, da UFMA. Por isso, \u00e9 mais que indispens\u00e1vel aquilatar o valor desta obra dentro do cen\u00e1rio acad\u00eamico do Maranh\u00e3o e, por que n\u00e3o dizer, do Brasil.<\/p>\n<p>A primeira quest\u00e3o que se colocaria seria: por que estudar Antiguidade e Idade M\u00e9dia em terras da Balaiada? Uma proposta de resposta seria a atemporalidade dos acontecimentos da vida do Homem, com suas tens\u00f5es, distens\u00f5es, sentimentos e emo\u00e7\u00f5es, que n\u00e3o destoariam desde o <strong><em>Homo habilis<\/em><\/strong> at\u00e9 o n\u00e3o t\u00e3o s\u00e1bio <strong><em>Homo sapiens<\/em><\/strong>. Para se conhecer os (des)caminhos reais e m\u00edticos dessa longa trajet\u00f3ria que nos leva \u00e0 serpente que circunda os ludovicenses atuais, temos que nos deter no passado, na sua pr\u00f3pria <strong>Hist\u00f3ria<\/strong> enquanto produtora de<strong> est\u00f3rias<\/strong>. Nesse momento, o antigo torna-se contempor\u00e2neo!<\/p>\n<p>A partir da perspectiva acima mencionada \u2013 a presentifica\u00e7\u00e3o dos estudos da Antiguidade e do Medievo \u2013 chama-nos a aten\u00e7\u00e3o no t\u00edtulo da obra em quest\u00e3o o complemento \u201cDi\u00e1logos Interdisciplinares\u201d. Literatura e Hist\u00f3ria s\u00e3o duas \u00e1reas do conhecimento que s\u00e3o parceiras na tentativa de (re)constru\u00e7\u00e3o de saberes e procuram acompanhar os (dis)cursos do e sobre o Homem ao longo de s\u00e9culos. Como int\u00e9rpretes privilegiados, historiadores e literatos leem, conjecturam hip\u00f3teses, objetivam evidenci\u00e1-las e as apresentam ao p\u00fablico leitor. Eis a primeira das contribui\u00e7\u00f5es do livro. Contudo, h\u00e1 mais!<\/p>\n<p>Ap\u00f3s o Pref\u00e1cio \u00e0 obra encontramos a lista de articulistas, todos renomados docentes, oriundos das mais distintas universidades brasileiras, do Rio Grande do Sul at\u00e9 o Maranh\u00e3o. A variedade de temas tratados demonstra o amplo arco cronol\u00f3gico que os estudos antigos e medievais abarca. O mundo greco-romano e suas especificidades hist\u00f3rico-culturais est\u00e3o presentes em cinco artigos, al\u00e9m de um texto de autoria de <strong>Margaret Bakos<\/strong>, que versa sobre a mulher no Antigo Egito. Doze ensaios, por outro lado, centram-se sobre a Idade M\u00e9dia em seus m\u00faltiplos \u00e2ngulos, mesclando o mundo germ\u00e2nico com a literatura portuguesa, a cavalaria com a religi\u00e3o, dentre outros entrecruzamentos poss\u00edveis. Al\u00e9m disso, o artigo de <strong>Maria Filomena da Costa Coelho<\/strong> sumariza as \u00e1reas de conhecimento englobadas pelo livro, pois a colega discute como historiadores escrevem romances \u2013 uma declara\u00e7\u00e3o acad\u00eamico-pessoal da medievista de Bras\u00edlia.<\/p>\n<p>A voz do Maranh\u00e3o \u2013 um ter\u00e7o do n\u00famero total de autores \u2013 faz-se sentir nos estudos de pesquisadores maranhenses ou que atuam em seu solo. <strong>Adriana Zierer<\/strong> (UEMA) ainda em busca do Graal, <strong>Ana L\u00edvia Bomfim Vieira <\/strong>(UEMA) e suas reflex\u00f5es sobre Atenas no s\u00e9culo V, <strong>Dino Cavalcante<\/strong> (UFMA) que nos traz o riso medieval, <strong>Lyndon de Ara\u00fajo Santos<\/strong> (UFMA), que tematiza os textos religiosos sob o vi\u00e9s de procedimentos de hermen\u00eautica e <strong>M\u00e1rcia Manir Miguel Feitosa<\/strong> (UFMA), ao discutir o \u201cmito\u201d de In\u00eas de Castro sob a pena de Fern\u00e3o Lopes, d\u00e3o a cor local ao estudo daqueles lugares e \u00e9pocas.<\/p>\n<p>Uma agrad\u00e1vel e enriquecedora leitura, eis como se pode caracterizar o material encontrado em <em>Literatura e Hist\u00f3ria Antiga e Medieval<\/em>. Sem perder o tom acad\u00eamico-profissional, os textos agradam tamb\u00e9m a quaisquer interessados nas \u00e9pocas mencionadas. H\u00e1 como que um di\u00e1logo entre os textos, pois os artigos, que seguem em ordem alfab\u00e9tica do nome de seus autores, alternam-se entre Antiguidade e Idade M\u00e9dia, levando os leitores ao vaiv\u00e9m do conhecimento.<\/p>\n<p>Como \u00faltimo t\u00f3pico neste ensaio que se pretendeu resenha: os estimados leitores podem ter percebido que n\u00e3o foi feita a listagem com o nome de todos os trabalhos do livro. Tal fato, contudo, foi proposital. Uma tal viagem no tempo e no espa\u00e7o demanda antes de qualquer coisa o ingrediente da curiosidade. Descobrir o qu\u00e3o pr\u00f3ximos de n\u00f3s est\u00e3o gregos, eg\u00edpcios, romanos e medievais \u00e9 tarefa individual, todavia, como um espelho de dois lados, <em>Literatura e Hist\u00f3ria Antiga e Medieval<\/em> n\u00e3o s\u00f3 espelha, como tamb\u00e9m nos conduz \u00e0 especula\u00e7\u00e3o e reflex\u00e3o sobre uma Antiguidade mais que p\u00f3s-moderna e uma Idade das Trevas, cuja escurid\u00e3o n\u00e3o sobrepuja a claridade de seus eternos ensinamentos!<\/p>\n<p>[1] &#8211; \u00c1lvaro Alfredo Bragan\u00e7a J\u00fanior \u00e9 Doutor em Letras, P\u00f3s-Doutor em Hist\u00f3ria Medieval, tradutor e professor universit\u00e1rio de L\u00edngua e Literaturas de L\u00edngua Alem\u00e3 na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Atua como professor Permanente do Curso de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em Hist\u00f3ria Comparada da mesma universidade.<\/p>\n<p><em>_______________<\/em><\/p>\n<p><em>Resenha publicada em 11 de agosto de 2013 no caderno Alternativo do jornal <a href=\"http:\/\/imirante.globo.com\/oestadoma\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">O Estado do Maranh\u00e3o<\/a>.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>AS FACES ESPECULARES DO PASSADO \u2013 ANTIGUIDADE E IDADE M\u00c9DIA: UMA VIS\u00c3O MARANHENSE \u00c1lvaro Alfredo Bragan\u00e7a J\u00fanior[1] O livro Literatura e Hist\u00f3ria Antiga e Medieval &#8211; Di\u00e1logos Interdisciplinares veio \u00e0 luz, vinculada ao N\u00facleo de Humanidades (cole\u00e7\u00e3o Humanidades), pelo selo da EDUFMA, Editora da Universidade Federal do Maranh\u00e3o. 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Para se conhecer os (des)caminhos reais e m\u00edticos dessa longa trajet\u00f3ria que nos leva \u00e0 serpente que circunda os ludovicenses atuais, temos que nos deter no passado, na sua pr\u00f3pria Hist\u00f3ria enquanto produtora de est\u00f3rias. Nesse momento, o antigo torna-se contempor\u00e2neo! A partir da perspectiva acima mencionada \u2013 a presentifica\u00e7\u00e3o dos estudos da Antiguidade e do Medievo \u2013 chama-nos a aten\u00e7\u00e3o no t\u00edtulo da obra em quest\u00e3o o complemento \u201cDi\u00e1logos Interdisciplinares\u201d. Literatura e Hist\u00f3ria s\u00e3o duas \u00e1reas do conhecimento que s\u00e3o parceiras na tentativa de (re)constru\u00e7\u00e3o de saberes e procuram acompanhar os (dis)cursos do e sobre o Homem ao longo de s\u00e9culos. Como int\u00e9rpretes privilegiados, historiadores e literatos leem, conjecturam hip\u00f3teses, objetivam evidenci\u00e1-las e as apresentam ao p\u00fablico leitor. Eis a primeira das contribui\u00e7\u00f5es do livro. Contudo, h\u00e1 mais! Ap\u00f3s o Pref\u00e1cio \u00e0 obra encontramos a lista de articulistas, todos renomados docentes, oriundos das mais distintas universidades brasileiras, do Rio Grande do Sul at\u00e9 o Maranh\u00e3o. A variedade de temas tratados demonstra o amplo arco cronol\u00f3gico que os estudos antigos e medievais abarca. O mundo greco-romano e suas especificidades hist\u00f3rico-culturais est\u00e3o presentes em cinco artigos, al\u00e9m de um texto de autoria de Margaret Bakos, que versa sobre a mulher no Antigo Egito. Doze ensaios, por outro lado, centram-se sobre a Idade M\u00e9dia em seus m\u00faltiplos \u00e2ngulos, mesclando o mundo germ\u00e2nico com a literatura portuguesa, a cavalaria com a religi\u00e3o, dentre outros entrecruzamentos poss\u00edveis. Al\u00e9m disso, o artigo de Maria Filomena da Costa Coelho sumariza as \u00e1reas de conhecimento englobadas pelo livro, pois a colega discute como historiadores escrevem romances \u2013 uma declara\u00e7\u00e3o acad\u00eamico-pessoal da medievista de Bras\u00edlia. A voz do Maranh\u00e3o \u2013 um ter\u00e7o do n\u00famero total de autores \u2013 faz-se sentir nos estudos de pesquisadores maranhenses ou que atuam em seu solo. Adriana Zierer (UEMA) ainda em busca do Graal, Ana L\u00edvia Bomfim Vieira (UEMA) e suas reflex\u00f5es sobre Atenas no s\u00e9culo V, Dino Cavalcante (UFMA) que nos traz o riso medieval, Lyndon de Ara\u00fajo Santos (UFMA), que tematiza os textos religiosos sob o vi\u00e9s de procedimentos de hermen\u00eautica e M\u00e1rcia Manir Miguel Feitosa (UFMA), ao discutir o \u201cmito\u201d de In\u00eas de Castro sob a pena de Fern\u00e3o Lopes, d\u00e3o a cor local ao estudo daqueles lugares e \u00e9pocas. Uma agrad\u00e1vel e enriquecedora leitura, eis como se pode caracterizar o material encontrado em Literatura e Hist\u00f3ria Antiga e Medieval. Sem perder o tom acad\u00eamico-profissional, os textos agradam tamb\u00e9m a quaisquer interessados nas \u00e9pocas mencionadas. H\u00e1 como que um di\u00e1logo entre os textos, pois os artigos, que seguem em ordem alfab\u00e9tica do nome de seus autores, alternam-se entre Antiguidade e Idade M\u00e9dia, levando os leitores ao vaiv\u00e9m do conhecimento. Como \u00faltimo t\u00f3pico neste ensaio que se pretendeu resenha: os estimados leitores podem ter percebido que n\u00e3o foi feita a listagem com o nome de todos os trabalhos do livro. Tal fato, contudo, foi proposital. Uma tal viagem no tempo e no espa\u00e7o demanda antes de qualquer coisa o ingrediente da curiosidade. Descobrir o qu\u00e3o pr\u00f3ximos de n\u00f3s est\u00e3o gregos, eg\u00edpcios, romanos e medievais \u00e9 tarefa individual, todavia, como um espelho de dois lados, Literatura e Hist\u00f3ria Antiga e Medieval n\u00e3o s\u00f3 espelha, como tamb\u00e9m nos conduz \u00e0 especula\u00e7\u00e3o e reflex\u00e3o sobre uma Antiguidade mais que p\u00f3s-moderna e uma Idade das Trevas, cuja escurid\u00e3o n\u00e3o sobrepuja a claridade de seus eternos ensinamentos! [1] &#8211; \u00c1lvaro Alfredo Bragan\u00e7a J\u00fanior \u00e9 Doutor em Letras, P\u00f3s-Doutor em Hist\u00f3ria Medieval, tradutor e professor universit\u00e1rio de L\u00edngua e Literaturas de L\u00edngua Alem\u00e3 na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Atua como professor Permanente do Curso de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em Hist\u00f3ria Comparada da mesma universidade. _______________ Resenha publicada em 11 de agosto de 2013 no caderno Alternativo do jornal O Estado do Maranh\u00e3o.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":206,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[33],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.edufma.ufma.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/219"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.edufma.ufma.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.edufma.ufma.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.edufma.ufma.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.edufma.ufma.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=219"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/www.edufma.ufma.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/219\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":4886,"href":"https:\/\/www.edufma.ufma.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/219\/revisions\/4886"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.edufma.ufma.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/206"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.edufma.ufma.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=219"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.edufma.ufma.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=219"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.edufma.ufma.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=219"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}